sexta-feira, 26 de junho de 2009

Grande Saída

E então me diz logo e de uma vez por todas, o que aconteceu? O que foi tudo isso de 'vida'? Eu queria ter uma arma que não quisesse explodir meus miolos, só para me manter segura de que você vai me dizer um dia o que tudo isso significa. Então, qual é a sua que nunca me mostrou nada além de alguns centímetros visíveis sem óculos? Qual é o seu problema em esclarecer o que há de duvidoso? Tanto trabalho em fazer tudo a minha volta, tanto esforço para me inventar sem nada dentro além da vontade de me criar, me criei e agora, me dê logo uma arma carregada, eu só quero ter uma arma nas minhas mãos e berrar para ela que eu não tenho resposta nenhuma, porra! Que porra toda foi essa história da vida? Quem aconteceu tudo isso em mim? Por que eu tomei essas decisões, se é que eu tomei mesmo alguma porra de decisão, me dá logo essa maldita arma e me protege, não, retiro o que disse. Não me protege. Você só faz as coisas do teu jeito... Me dê a arma e eu me protejo, olho todos os dias e a carrego quieta, agarrando os lábios, esfregando a palma da mão na boca, aperto os olhos para não chorar sozinha, sem você. Você não me ensinou a me importar com tanta besteira, eu que me amaldiçoei, e não me ensiou a engolir o choro, eu que engulo. Só situou, pôs suas situações, aconteceu, fez, pintou e bordou nos meus dias botando na minha frente a solução. O mínimo, faz para todos só isso, põe na nossa cara o que agente precisa. Acatei, claro. Mas as vezes, eu sinto que esse choro é só meu, você não chora, nunca chora. Eu quero essa arma só para ter a certeza que de tanto apertar minha boca calando essa merda de grito, eu acabei virando homem. Homem crescido. E essa arma só vai ficar carregada em cima da mesa, me olhando e eu olhando ela. Nada mais. Enquanto eu não tenho a minha arma, não vou parar de querer gritar, nãos sei se consigo parar meu choro de uma vez por todas. E no maldito dia em que eu souber, me leva, e não me diz nada, quando eu finalmente não precisar mais gritar para essa merda de história de vida, me diz, que resposta eu vou precisar? Que proteção eu vou precisar? Que consolo? Não vai ter mais grito... Ai, vai ser tarde. Então me deixe dormir de uma vez, para sempre, e não ouse me acordar para se justificar, contar seus causos, não vou querer te ouvir. Quando parar de gritar para a vida, quando eu cansar de berrar por você por força do teu destino, não me venha tocar sua música. Eu já toquei a minha música a vida toda, e sufoquei meu grunido sozinho a vida toda, suportei teu zunido sem a merda de arma que me prometi, que me prometi que você me prometeu. Então, no final, na grande saída, só me deixa não ser quieto. Por que quando acabar o grito, ah esse dia vai chegar, quando acabar a dor, eu não vou precisar de você para nada. Hoje, sem saída, deixa que eu me viro sozinho. Na grande saída, me esquece. E se quiser mudar teu jeitinho patético de sempre ir levando a tua única única vida-existência, me dá essa porra de arma que me protege do medo, que me mata a dúvida. Não me perde na grande saída, não me perde na grande saída, não me perde!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Começo num pranto exultante de pretensão, deliciado em saber que não deixa e jamais deixará de ser lágrima, choro, dor pois não cabe nem agora nem amanhã, coube apenas nos segundos que preveram este escrito. Ah pranto maldito, enlouquecido que põe-me no chão, sob o chão, no ar, a voar, nas estrelas na poeira do universo e na lua e em todo vento, no mundo que se move ao meu redor, me respira para dentro e fora dele, me eriça os peitos e pêlos, me faz desejar virar-me do avesso. Fui à noite clamar mais um amor, uivei para lua fazendo mais uma vez meu feitiço-pedido ao cosmo, ao Criador, ao mundo, aos espíritos, aos demônios e aos santos, um clamor sincero que desespera por alguém para sermos um só. Uivei para a noite pedindo alguém, pedindo para que chegue e não pude imaiginar como ele seria, quando seria, nem por quê seria, e se eu mesmo seria esse amor, não pude nada... Nunca posso, nunca consigo vê-lo e entendi meu por quê, e esse conhecimento me espalhou até onde eu podia enxergar. Senti-me como se transasse com Deus, e a vergonha dessa sensação quase calou meu pensamento no momento e minhas palavras no agora, mas o torpor falou tão mais forte, mais pesado, éramos um só, o vento, a noite, os desgraçados da rua, as santas em suas casas, os traidores e os traídos e os inocentes e culpados. Tento fingir agora o prazer do sufocar-se em angústia plena do aprender a sentir de verdade, não fingir, não consigo mais, tão longe estou dos meus personagens sozinhos e carentes que sinto prazer com minha solidão, sinto desejo por quem ainda não conheci como nunca antes, antes eu ansiava, tudo era ansia e a vida era uma ansiosidade em acabá-la logo, sentindo, vivendo, vivo vislumbrei por poucos segundos o que pode ser um amor de verdade, o que pode fazer com minhas idéias e meu ser amar... E essa solidão explodiu de fora e dentro e dentro e fora para dentro e para fora num transbordar-se em si mesmo; um pequeno fragmento do que é me fez querer mais e mais em felicidade tênue que dividia seu espaço no meu humor com um sangrar em não ter e um beijo que não vi, não imaginei, um toque que nao sonhei, olhos que não sei a cor, palavras da qual não faço idéia, uma existência que desconheço, a existência do meu amor, do meu alguém de quem serei pertence, e ele meu e eu dele e nós de nós mesmos sendo não mais nós sendo nem sequer um, sendo, amor, puro, inconsequente pois não medi suas consequencias naquele segundo, me envolvi, fui abraçado fortemente pelo próprio amor em sua plena veracidade, sim, ele me abraçou, tocou-me cada pedaço de pele e cabelo e fez meus olhos apertarem e soprarem a fumaça pedindo por ele vir em carne, em osso e dizeres. Mas eu não precisei da sua pele pela primeira vez, a única. Seu ser me sobrepôs, subjulgou qualquer figura e conceito de antes para gritar ao meu corpo, é isso que sou, esse é meu abraço, esses são meus beijos, o Universo me beijou e pude transar com Deus... Transei com Deus enquanto a fumaça do meu cigarro cintilava pelo ar escrevendo no ar sem significar nada por segundos que aquele afago em dor era amar. Amar. Amar. E por falar com o Universo, pedir e sentir para ele esta carne que em algum lugar pode me ouvir, não fiz-me triste, não fiz-me nada, deixei-me levar pela fumaça e o vento e as nuvens e as nuvens que saiam de minha boca e a brisa e o vento na copa das árvores, não deixei-me levar, fui levado
...tateio o ar olhando atento afoito aflito a ponta dos meus dedos a brincar com o ar procurando essa sensação denovo, mas agora ela é minha, não preciso procurá-la mais.

Amei você. Amei você! Por uns curtos segundos, amei você e pela única vez até hoje digo que foi de verdade, foi real. E não sei quem é você. Mas o amei. Tentei achá-lo denovo, e meus juízos não deixaram mais, me disseram que alguém nenhum me faria sentir isso denovo a não ser a Lua e os céus e o vento e Deus; mas amei um alguém, um qualquer. Não bebi do veneno doce que mata aos poucos do amor ideal que nunca chega e nem se completa apenas para em sonho manter-se perfeito, de tirar o folego por não existir aquém dos sonhos; não perdi o folêgo. Ganhei folêgo, fui respirado pelo ar, o respirei, fui ar. E mesmo me afirmando que você não me dará isso em pele, sei que não estou preparado para você, para amá-lo, nunca estarei; só estou certo em certeza profunda que o amei de verdade, hoje, a alguns segundos atrás. Em pele, em ar, em ser, em alma, o espero sem esperar mais tanto assim, pois tê-lo amado me fez ver que nunca o esperei, nem sempre soube que um dia chegaria, nada disso: queria aprender a amar e vi que não se aprende, não são conceitos, apenas se sente. E eu senti. Senti o seu amor por mim por um curto tempo, de onde quer que você esteja, obrigado. Obrigado eternamente obrigado. E termino dizendo que o pranto ainda mantem-se querendo ser chorado mas não consegue, pois seu motivo em emocionar já se foi, e explicá-lo aqui ou tentar lembrar e até falar sozinho sobre não me faz sentir denovo, já foi, e único, será, para sempre.

Até que a pele me encontre conjugando paliativo com realidade.

levo-me demais, e demais que quero deixar-me levar, e ser levado é levar de alguma forma essa vida.

Um arrepio leva o medo de não ter mudado nada e os dedos vão percorrendo letras tentando se procurar ou mesmo se achar, quem sabe ser achado. O demônio podia levar minha alma para um lugar aonde eu pudesse me fazer doer sem ter culpa, sujar sem ter que limpar amanhã, comer até aonde um até não cabe, beber enquanto o tempo existir, sofrer sem me cansar pois de sofrer todo mundo sabe, felicidade é divina, e tem de ser alcançada; para sentir-me só e dolorido assim, apenas preciso parar, e disso entendo bem. Estagnado, olho ao redor e não há nada além da dor e uma certa comodidade rotineira em fingir sorrisos. E dizem que a vida tem de ser assim, isso, resumir-se assim: viva como se fosse única, cada dia o último, o máximo de alegria que seu coração puder aguentar. E ele nunca aguenta o bastante, e nunca há o bastante para sácia-lo.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Um devaneio simples me leva
perco as rédeas de qualquer razão
não quero me dar por si
Desisti de ser encontrado
não vou parar de andar em círculos
só para não ser mais um quadrado
Na verdade sou sem formas, desinformado
por opção, nada me interessa além de
um leve suspiro.
Sou tão assim, acostumado nos mistérios e de caso feito com palavras que deixo tudo a entender mas adimito que não se entende nada do que digo; pairo no ar de uma expressão dada ao horizonte, refletindo algo... irreflexível.
Um silêncio dividido sem desconforto alastrou no peito o desejo de eternizar o notório momento aonde nada nem tudo eram necessários ou mesmo o bastante...
Enquanto escrevo poesias
não sei o que acontece
além de sentires sob
minucia momentânea.