sábado, 29 de outubro de 2011
Quero que
Quero que me deixe olhar sua alma e não enxergar o fundo dos seus olhos castanhos. Que não ocupe mas preencha meus vazios e meus cheios, que cure todo meu incerto com a certeza de que você é real. Que me olhe dormir e me acorde com um beijo e me adormeça com amor. Que esfregue minhas costas aonde minha mão não alcança, e meu peito deite-se aonde você melhor fica.
E como onda virei espuma
nas areias até que minha última
bolha sumisse. Quando acordei,
estava escrevendo isso no meu quarto,
só não sabia mais o que escrever.
Então a música chegou ao fim,
e eu não sabia o que imaginar.
Deu-me uma vontade de fumar
e o cerne dos meus sonhos
revoltou-se, calou-se, deixou
de me amar, resolveu ir
embora com a enseada
nas areias até que minha última
bolha sumisse. Quando acordei,
estava escrevendo isso no meu quarto,
só não sabia mais o que escrever.
Então a música chegou ao fim,
e eu não sabia o que imaginar.
Deu-me uma vontade de fumar
e o cerne dos meus sonhos
revoltou-se, calou-se, deixou
de me amar, resolveu ir
embora com a enseada
Em seus olhos verei uma espelhada
devoção; nos teus lábios encontrarei
palavras e beijos que vou desejar
sem infinitas. Teus dedos a mesma
procura das minhas mãos em acarinhar,
proteger, trazer para dentro de si.
Nos teus jardins a certeza de ser
os primeiros pés a tocarem a grama
verde vai me surpreender cego,
vendo pouco o bastante para me aguçar
a curiosidade. Teus ouvidos vibram
como os meus, teus motivos um misterio;
só saberei que me queres, e muito,
como eu o quero, e muito.
devoção; nos teus lábios encontrarei
palavras e beijos que vou desejar
sem infinitas. Teus dedos a mesma
procura das minhas mãos em acarinhar,
proteger, trazer para dentro de si.
Nos teus jardins a certeza de ser
os primeiros pés a tocarem a grama
verde vai me surpreender cego,
vendo pouco o bastante para me aguçar
a curiosidade. Teus ouvidos vibram
como os meus, teus motivos um misterio;
só saberei que me queres, e muito,
como eu o quero, e muito.
Sou um vadio brasileiro, me coço com papo cabeça, me inflamo
digo bobagem e não levo a sério coisa séria.
Dou risada a toa e na hora errada, me viro fazendo tipo
e com pouco de quase tudo se vai me achar inteligentão.
Parafraseio aos montes, gosto mesmo é duma boa sacanagem,
daquelas de olhares e se pegar, e das outras de gargalhar
da cara alheia. Tenho sorriso faceiro e dado, arreganhado
para ser sincero. Nariz batatra, sei chero de tudo,
de medo e mentira, tesão e pinga, todo caras e bocas.
Meio bicho-macaco, na cama, na mesa de bar e sobre mãe
eu mando a civilidade se foder. Gosto de por na boca pra
saber o que é, e se não pode meto a mão. Gosto é mesmo
de não ter nada pra fazer, e ficar fazendo nada,
conversa desinteressada bem vaga e leviana, leviano,
vivo a vender meu sorriso por um elogio, meu beijo
por um carinho, meu agrado por um troco, vai, um drinque.
Sem compromisso nem esquento a cabeça, sonho de bobeira
e falo coisa impossivel, lambo os beiços e não fico quieto não,
conta aí uma piada de português
digo bobagem e não levo a sério coisa séria.
Dou risada a toa e na hora errada, me viro fazendo tipo
e com pouco de quase tudo se vai me achar inteligentão.
Parafraseio aos montes, gosto mesmo é duma boa sacanagem,
daquelas de olhares e se pegar, e das outras de gargalhar
da cara alheia. Tenho sorriso faceiro e dado, arreganhado
para ser sincero. Nariz batatra, sei chero de tudo,
de medo e mentira, tesão e pinga, todo caras e bocas.
Meio bicho-macaco, na cama, na mesa de bar e sobre mãe
eu mando a civilidade se foder. Gosto de por na boca pra
saber o que é, e se não pode meto a mão. Gosto é mesmo
de não ter nada pra fazer, e ficar fazendo nada,
conversa desinteressada bem vaga e leviana, leviano,
vivo a vender meu sorriso por um elogio, meu beijo
por um carinho, meu agrado por um troco, vai, um drinque.
Sem compromisso nem esquento a cabeça, sonho de bobeira
e falo coisa impossivel, lambo os beiços e não fico quieto não,
conta aí uma piada de português
domingo, 4 de setembro de 2011
Dias que são brim ou purpura tem vezes cinza e até ocre. Normais, alegres, sem qualquer graça e sem qualquer coisa, apenas dias. Horas e minutos são consequências de estar, sorrisos bobos e inocentes, gritos enterrados na mesmice, dores sem nada de pele e poros e corpos, dores apenas. Aliás, dores, ah sim, dores inesgotavéis. Dias sem catálogo, sem rótulo, dias que sim tem de tudo um pouco e não se sabe ao seu fim o que pensar: bom ou ruim? Dias que nunca chegam a ser noites, jamais, são dias, sempre serão dias. Não se pensa, e quando o faz, mesmo purpura, não faz assim tanto brilho nos olhos. Não fazem reluzir os olhos. Mesmo tão purpuras como são... Momentos? Não. Eles não são dias. Momentos são classificados, e guardados. As vinte e quatro chances horárias para ser feliz, ser triste, ser nada, são na verdade tudo. Tudo... Todos os tipos... E o mais triste fim de um dia que chegou, despertou, aconteceu, e dormiu sempre será a teimosia do destino em nos dar a escolha todo o tempo, o tempo todo. Afinal, eu queria acordar brim, permanecer brim, e dormir brim, para amanhã acordar purpura, existir purpura e dormir purpura, como na exatidão do por do sol e na certeza do seu nascer. Eu invejo as horas e a sua congruência clara, não saber o que será do meu dia, não ter o poder sobre o meu dia, ter que decidir o caminho dourado, escapar dos becos calados, não. Não... Eu invejo o relógio e sua exatidão precisa. Eu queria ser isso apenas, e como as estações viver a merce da lua e do sol e da terra. Mas não. Eu vivo a minha sombra... E sempre, tudo, todos os enlaces, todos os sonhos, todos os risos, todos os choros, todos os dias, eu me canso de ser feliz. E me canso de ser tirste. E me canso de ser nada. Me canso de escolher, queria saber a escolha ao acordar e ter que vive-la forçosamente para não me cansar de dias bem ou mal trilhados. Imagine saber tudo! Segundas tristes, terças amenas, quartas alegres, quintas exuberantes, sextas pensativas, sabados doloridos e domingos no nada. Pode imaginar como seria mais fácil se todos fossem assim? Todos numa malha astral... Sim, eu me cansaria da mesma forma. Porém estaria totalmente isento da terrível consciencia de ter escolhido como ser feliz ou triste neste segundo. E o fim dessa culpa jamais me cansaria...
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
"Ah o mundo sempre foi um circo sem igual..."
Me pinto de homem todos os dias
ando por luagres aonde um cidadão deve andar
e o dever é minha maior dádiva, preenche dias
e mais dias de trabalho árduo, descando insolito
preto e branco colorido vivo vivido vivendo.
Que história boba eu tenho para contar,
a história de um pequeno verme que acreditou
piamente que podia ser gente; e foi, é.
E as palavras que tento escrever não soam mais naturais
não tenho nada mais a dizer realmente, não sofro
e as palavras que eu dizia eram para soprar o sofrefo sopro
de um sofredor.
Não senhor, não sofro mais
Vivo dias bem vividos e nada mais então, me diz
sobre o que eu poderia escrever?
ando por luagres aonde um cidadão deve andar
e o dever é minha maior dádiva, preenche dias
e mais dias de trabalho árduo, descando insolito
preto e branco colorido vivo vivido vivendo.
Que história boba eu tenho para contar,
a história de um pequeno verme que acreditou
piamente que podia ser gente; e foi, é.
E as palavras que tento escrever não soam mais naturais
não tenho nada mais a dizer realmente, não sofro
e as palavras que eu dizia eram para soprar o sofrefo sopro
de um sofredor.
Não senhor, não sofro mais
Vivo dias bem vividos e nada mais então, me diz
sobre o que eu poderia escrever?
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Sempre quando olho alguém nos carros, indo e vindo atrás de algum dinheiro, sempre sinto que algo não está certo em meu peito. Será que no fundo gostaria de ser como um deles, perder essa vida regrada para não saber nunca o que esta por vir? E eles andam, andam, andam parecem sempre estar andando mas não a procura de algo, apenas andando. Eles não procuram nada além de algo que faça esquecer suas situações. Assim meu bom ego vê, cheio de si, crendo piamente que eles apenas estão perdidos sem um caminho para traçar embaralhando os dias com drogas e bebidas, mas... Será que eles estão perdidos mesmo ou eu que quero ver assim para não invejar algo tão triste... Não sei. Andarilhos... Vivem da brisa nos cabelos, da tristeza no peito, vivem do entorpecimento, vivem do quê? Sei que me põem borboletas de pelica no estomago, me pinicam por dentro... No fundo, ou na verdade, ou infelizmente, queria ser um deles... Ser esquecido por todos que me amam para esquecer que eu mesmo não me amo tanto assim... E so andar, e beber, e esquecer de que um dia fui condenado a vida. Sorrir para estranhos, viver da caridade alheia, sofrer o frio e o calor e sentir que a vida existe em pele, na pele, não nos meus contos de que tudo está bem. Não. Nem tudo está bem, eu poderia ser um deles, mas não quero mais a loucura que certas coisas me dão. Pensava que um dia ia sentir saudades, mas ser louco é algo tão triste que não cabe na palavra tristeza, não cabe no peito. É desumano. E fui louco, não é Deus? Me pergunto ainda do que você me queria mostrar com tudo que passei e fico sem entender bem. Na verdade não entendo nada... Ainda tenho uma intensa esperança de reviver um amor do passado, e me deixar levar por apenas um cigarro... Esses sentires são fortes no meu peito. Mas hoje o medo fala mais alto. Hoje. Não sei amanhã. Queria me perder de vez por esses caminhos da vida, por que simplesmente não tenho para onde ir, não tenho uma casa em nada do que existe... Nada é minha casa, nem ele, na verdade, nem você, na verdade. Nada me faz sentir em casa, nem eu mesmo. E não há lado bom nesses sentimentos. São só fatos cortantes do meu comportamento, do meu ser. A verdade é que não gosto de nada do que me é servido, queria mesmo poder esquecer sempre que estou vivo, mas o esquecimento acabou virando insanidade, demência, tristeza. Hoje sou forçado a viver dia a dia com tudo que mais odeio, amar, falar, trabalhar, respirar, oh Deus, até respirar me deixa insatisfeito. Se pelo menos alguém pudesse entender isso e sentir o mesmo e me dizer, ei, acalme-se, eu sinto o mesmo mas não é bem assim. Alias, é bem assim como me sinto. Quer sentir isso junto de mim? Todos de alguma forma gostam de gostar de alguma coisa de qualquer forma. Se sofro? Não. O tempo me ensinou que sofrer realmente é uma opção, e certas coisas não são para serem pensadas, apenas vividas, e outras quando são pensadas e ditas como hoje, devem ser esquecidas, só isso. A fórmula mágica de viver. Parece que sempre quando para pensar é nisso que penso e me diz, por que? Como não pode me fazer como os outros que não pensam assim, e se pensam assim, como pode fazernos assim? Se eu me fiz assim, por que foram deixar, como ser como eu sou pode existir na terra de um Deus misericordioso não é? Enfim... Como sempre, disse o que sempre digo de alguma forma diferente e foi bom, pois ser sincero as vezes faz bem, alivia o peito. Obrigado por me deixar falar disso sem sofrer como eu sofria antes. E me manda logo um ferido como eu... Obrigado senhor.
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