domingo, 18 de novembro de 2007
Livre
O mundo novo, tantas influências vindas quase sempre de um mesmo esquema cultural, porém com tantos meios de ampliar seus conteúdos sobre a vida, a consciência disso leva seus pensamentos a um nível muito acima do imperativismo intelectual atual. Quando se desprende de premissas, podemos achar beleza nas coisas mais simples e nos arrepiar pela milésima vez com a mesma cena. Semióticas, entrelinhas, sempre haveram nelas tantas mensagens desconfortáveis, tantos pontos preconceituosos e realmente cansativos às mentes ressequidas de um produto novo para estudar e criar embasado nesta miscêlania cultural. Sim, está óbvio que essas são barreiras sólidas para o profissional realmente comprometido com a originalidade, mas quando conseguímos captar em meio a todo o caos informacional congestionado de rótulos e formatos, para adentrar fundo nas pequenas coisas tão simples que compõem um trabalho original na essência da singularidade, e melhor, compor algo que possa soar parecido para você mas apenas nos pontos adimiravéis, aí sim você encontrou os pés do arco-íris. A criatividade existe e sempre existirá, para as massas e mesmo nas altas classes, sim ela anda defasada dos mesmos arqueótipos seguros de sucesso e rentabilidade. Mais do nunca, hoje o mundo gira em torno do que é lucrativo, porém não poderemos exigir demais dos cirtuitos principais. Mas quando a gestão é particular e simples, cada um pode sim alcançar uma liberdade pura da escola do produtivo para realmente chocar seu mundo com os demais. As vezes me pego pensando 'o que há de proveitoso em escrever para as paredes', mais momentos como esse quando consigo explicar algo de tanta importância mesmo que para mim mesmo, que não, não importa com que consequência, as palavras e atos e idéias e conceitos e opniões são causas, de cada qual são suas próprias causas, então mesmo que em silêncio, jamais estarei calado.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Virtual...
Descrever a tenue substância que compõe nossos pensamentos, os nuances imperceptíveis de humor e valor que vão transgredindo nossos valores sem que percebamos, e quando entendemos, tudo parece tão... artificial. Por quantas vezes você já não olhou para quem ama se perguntando por que está com essa pessoa, para seus filhos e pensando que são um total fracasso, para sua vida como se de tão efêmera não tenha significado nada para você além de memórias e memórias mas a ação, quando acontecia, você nem percebia... Momentos que guarda com cuidado, mas no fundo sabe que quando os vivenciava, eram só segundos, passaram. Dias que esperou tanto, e que quando chegava, de nervoso, não via a hora que acabassem. E dias em que algo aqui dentro implorava para não passassem, como todo o resto passou. Criamos ao nosso redor uma teia virtual de preconceitos, vontades, saberes e sonhos. No final, todos se esvaem por dentro os dedos enrugados que mal escapam das mesmas culpas, da sensação de que devia ter feito mais, das angústias por não saber como será o fim; mas a vida vai e o fim vem, sempre. Sempre. E nada impede isso, apenas nós mesmos, que nesse caminhar insensato, fugimos da única realidade que realmente está conosco desde que vimos a primeira luz. O demais, não passam de percepções, opniões, visões nossas sobre como o mundo é, por que ele é para cada um único, mas mesmo assim, é o mesmo; divide-se a morte e os veículos de entender são os mesmos, então por mais que você ache que ninguém sentiu isso que você sente agora, nesse exato momento, milhões sente-se assim pela mesma coisa que você sente, e bilhões por se achar sozinho. Jamais estamos sozinhos, a certeza absoluta sempre nos acompahará.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Página desmarcada
dedos arranhando o papel
palavras que da ponta da língua
escorrem para o nada.
Inspirações e expirações
desmanchando toda a poesia
que, segundos antes de pintar o papel,
eu havia iamginado, e já não o é.
Algumas lembranças daqueles versos
vagam sozinhas pelo fio ineterrupto
do 'queria ter dito' que povoa
a imaginação; mas acaba a linha
e nada mais se tem denovo.
Como pode o todo perder-se em
uma palavra, e o que não o é,
jamais definir-se em palavras.
Letras, períodos, pontos, frases
se juntando com nenhum ou algum
propósito inexplicável que, as vezes
se mostra no contexto, se esconde nas entrelinhas
mas mesmo assim, vai:
completa o caminho de não caminhar.
dedos arranhando o papel
palavras que da ponta da língua
escorrem para o nada.
Inspirações e expirações
desmanchando toda a poesia
que, segundos antes de pintar o papel,
eu havia iamginado, e já não o é.
Algumas lembranças daqueles versos
vagam sozinhas pelo fio ineterrupto
do 'queria ter dito' que povoa
a imaginação; mas acaba a linha
e nada mais se tem denovo.
Como pode o todo perder-se em
uma palavra, e o que não o é,
jamais definir-se em palavras.
Letras, períodos, pontos, frases
se juntando com nenhum ou algum
propósito inexplicável que, as vezes
se mostra no contexto, se esconde nas entrelinhas
mas mesmo assim, vai:
completa o caminho de não caminhar.
domingo, 11 de novembro de 2007
Voltar a ser criança...
Agora de pouco me perguntei se conseguiria ser sinceramente lúdico ao escrever alguma coisa... E passar os sentimentos bonitos que sinto em relação ao meu lado mais inocente... Pra começar acho que devo me desprender de palavras dificéis, e muito elaboradas, deixar que cada período vire frase e cada pedaço seja simples, como se dentro de um beijo estalado eu pudesse dizer tudo que quero. Digo que carrossel faz meus olhos brilharem... E circo me lembra que rir quando não é de coração é estranho, mas não deixa de ser verdadeiro por que alguma coisa em você naquele segundo quer rir... Digo também que tanta coisa sempre vai estar errada, mas que pensar em coisas lindas sempre vai ser melhor. Que sonhar é o que faz agente criança, e sorrir, e brincar, e ser feliz. O muleque não se pergunta por que quando a bolinha de gude quica joga a outra longe, nem por que avião parece passarinho que não sabe bater asa, nem liga pra gente que faz careta, nem pra mordida de formiga. A menina se assusta com barata, mas sabe que o doce é mais doce quando tá lá no alto do armário. Ela penteia os cabelos as vezes, e nem percebe quando eles mais estão arrepiados, por que brincando, ela esquece. A criança acha que tanta coisa precisa mudar que o mundo fica perfeito pra ela, por que ela sempre esquece tudo que quer diferente pra dar atenção pra tv, ou pra cosquinha do irmão, ou pro afago da mãe. Quer tanto crescer, mas sempre acha que o ano passado na escola foi bem mais divertido. Com uma varinha se agitando pelo ar sonha os sonhos mais lindos, e naqueles momentos ela tá la dentro, de cada sonho dela, de verdade. E quando dorme se tem pesadelo, acorda esbaforida, esquece, e dorme denovo. Toda a meninada é linda, por que sabe esquecer do que tem que ser esquecido, e nunca esquece da bicicleta nova que quer tanto para brincar... A bicicleta que quando ganhar, vai esquecer só pra lembrar do que mais vai fazer feliz esse pedaço da gente então...
sábado, 10 de novembro de 2007
Legião
O suor seco já não aparece mais, e a dor é algo tão distante que as vezes me torno insensível... E tão sensibilizado por todas as coisas do mundo, tão tocado por cada tormenta que me faz resolve-la de imediato. Mundos e fundos crio-os só para mim, e acredito em cada um deles como se fossem toda a verdade do mundo, só para desacreditar depois, ainda tendo a certeza que fora de minhas janelas cada um daqueles mundos estão acontecendo agora, e sempre estarão acontecendo. A vida vai continuando, se escoando pelos dedos como acontece com todos; comigo, ela é boa, feliz, meio que incompleta mas só por ser assim que é tão farta, pulsante: cada coisa que não tenho me faz querer mais que tudo quere-las, sonha-las, e que vida é vida mesmo quando você não sonha mais... Não sei como seria uma existência assim, inóspita, seca de queres sinceros... Não entendo. Mas sei que em tantas vezes, quis alguém, e por tantos momentos tive alguéns; hoje, todos importam e não importam. Importam por me fazem ter lembranças boas, não importam pois se perderam por caminhos que desconheço e no qual não sei achá-los... Sim, perdi amigos... Sim, perdi amores... Mas ganhei em vida, em sabedoria, em saber ser um alguém que sendo é assim, completo, mesmo acima de tudo. As vezes acho que falo a língua dos anjos...e que amo o mundo mais que qualquer um possa ter amado de verdade, mas sei que isso é impossível; sem os verdadeiros apaixonados como então a Terra persistiria em girar... Em todos os tempos em cada época, sempre houveram os como nós, que simplesmente são aficcionados por tudo isso que é viver. Almejo datas aonde os tristes deixem de ser assim, e a beleza seja propagada em todos os semblantes, jamais nos rostos. Obras da natureza encontram-se tantas em tantos lugares, mas espíritos livres que reluzem em olhos de amor e compaixão, isso é raro.. Não por muito tempo!
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Vida...
Por que sempre falar sobre mim não é... Para tentar se entender? Para tentar achar um meio de que me entendam? Ou por pura prática irresistível de egocêntrismo? E por que sempre se perguntar de alguma coisa... para achar respostas... para excitar a curiosidade alheia... ou só para jamais querer se entender de verdade... e sempre são tantos quesitos, e fragmentos que vão completando quase tudo que escrevemos; partes que se encaixam dando (ou querendo) algum sentido, pedaços soltos de divagações que caminham para algum infinito indefinível. Vai ver nada passa de uma normalidade em se conhecer melhor que todo o resto, então impossível fugir do mesmo assunto, ou mesmo se citar sem nem perceber. Pode ser que as dúvidas só existem, por que mesmo dominando o assunto bem, sempre haverão incógnitas. Independente do que você venha a falar. Aí você pode me dizer, o céu é azul e a maçã sempre cai, eu te digo que há dias de chuva e o laranjado pôr-do-sol aonde maçãs são apanhadas. Você pode dizer que vai morrer, e eu que há quem acredite em Jesus, e podemos ficar nessa por horas a fio, perdendo então tempo demais, procurando algo que realmente não quer se achado. Por que, imagine, se de tudo soubessemos, e não haveria nada mais a perguntar, desde sempre cada um só fazendo o que havia de fazer e conhecendo o que deveria acabar conhecendo, jamais seriamos assim, humanos. Seriamos algo mais semelhante a natureza... Que não precisa saber de onde vem, nem para aonde vai, apenas caminha, se move em forma de tempo. Agora, como enquanto vivos não temos a certeza de estar escolhendo mesmo, ou sendo escolhido, procurando ou só descobrindo, sempre seguimos continuando... Continuando pelas manhãs lindas de setembro, por noites solitárias de tristeza, pelas tardes particulares de lembranças, e observamos a primavera, o verão, as avalanches pela tevê, as abelhas obstinadas, e as árvores sempre caminhando para os céus... Tudo isso sabe perfeitamente por que está ali e para onde está indo, senão jamais se encaixariam tão certo; agora agente, agente mal sabe o que vai acontecer depois de ler tudo isso...
Intelectualóides
Era dito sábio pelos cartéis de cabeças aprimazadas com um certo interesse por saberes variados. Ela era o que mais lera de todas as coisas entre todos eles. Jamais seu ponto de vista realmete aceitou a idéia franca e promissora que todos sempre acabavam relatando as mesmas estruturas em conjuntos diferentes; era um partidário, como todo bom entendedor. Defendia com fervor subliminar seus valores retirados de livros e livros sobre sociedades mortas e ideais obscuros. Quanto mais amava o que aprendia, mais se envolvia nas teias ignobéis da dedicação exasperada a algo que infindavelmente o leva ao ponto aonde começou. Mas para ele não, como criança ávida sempre que conseguia dominar uma teoria com seu vocabulário vasto, sentia-se inflado e entorpecido no frocitante prazer efêmero das letras. Ah ele sentia... Datava-se único por articular tantas escolas e métodos e ismos e estruturas em uma só mente. Quando conversava, afirmava que era apenas a nível contemplativo, mas em seu ser pouco oculto, revelava-se logo um retórico invertebrado. Afinal quem discute, assume sim seu próprio caráter taxativo, e como ele descutia. Despendia toda sua gama de palavreados prolixos e insólitos para tentar confundir a pessoa e faze-la desistir, nivelando seus próprios conceitos sólidos para todas as entrelinhas da conversa, mas eles estavam ali, feito estruturas firmes de um prédio irreal. Alternava em várias facetas de um mesmo tópico, subentendia-se que para ele tratavam todas de um só assunto e esse assunto consistia em não ser um assunto; os promissores sempre acabavam de uma forma ou outra dizendo isso. Mas nem eles mesmos acreditavam nisso, pungenciavam em suas obras manias e idolatrias inevitáveis por outros e outros que vieram antes deles os calcando a escrever também. Eram produtores de relatos, recortes e retalhos da malha interminável de coisas já ditas, diferentes de quem cria, estavam sempre com 'algo na cabeça' que egendravam seus escritos, e esse algo era sempre uma nota ou frase marcante, que como em mocinhas virgens, os fizeram molhar a calcinha de excitação com tanto peso teórico. Quanto mais denso e impenetrável fosse os conteúdos, mais carregado de analogias e indiossincrasias com o mundo, e nada que realmente fosse concebido do real, mais suas calcinhas ávidas por seu 'pai da literatura' como assim intitulam tantos, molhadinhas ficavam. Entre todos os emranhandos cultos de uma mente ocupada por tantas cargas de teoria, tinha sempre no ar de seus feitos uma superioridade e uma certeza confiante do que escrevia. Fazia o máximo para não contradizer seus próprios valores, mas a forma como levava sua vida e encarava uma conversa, denotavam todo o seu embuido ser de ser o ser já sido de outro por não saber que ser ele seria sendo ele mesmo. Sua existência encefálica consiste num agrupado crítico sobre tantas coisas e outro seleto nicho de sistemáticas firmes de opnião. Ah sim, para bom entendedor, apenas a verdade basta. E a verdade sempre é a sua, a nossa, nunca a do outro. Eu por esporte sempre fui um contraditório, negava qualquer coisa que ouvisse pois tudo pode parecer certo ou errado dependendo apenas com que olhos e para aonde os aponta. Numa dessas ficava claro que me contradizia, repetia as mesmas ferramentas de desconstrução, mas em nenhum momento levantei bandeira pensando "pensem assim" ou mesmo a bandeira do "você não consegue pensar assim". Encarava tudo como um jogo de palavras, aonde o jogador mais atento sempre encontra falhas na teoria do outro e as joga sobre seu rosto, enquanto suprime o que ele diz a meros 'ditos', o articulador sem saber como e por quê escapar do jogo, sempre reafirma suas respostas e ideais empunhando-se da mais variada coleção de contundentes para defender sim o ponto de vista que sim possui sobre tais assuntos. Eu não. Eu ganhava o jogo, pois nunca entrava no jogo, só defendia a contrapartida, a recusa, a retórica, o relativismo, e se esses eram meus partidos, longe disso! Só queria ver o gatinho se enrolando com o próprio novelo de lã e fugindo cansado de tanto se enroscar, letras simbolizam e o que é simbólico jamais pode ser verdadeiro em suma, portanto, me digam breves leitores, que boa teoria não possui seus cacoetes?
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